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Entrevista: Síntese

O Síntese lançou em 2012 o albúm “Sem Cortesia”, com forte reflexão espiritual nas letras e bases cruas, foi considerado um dos melhores álbuns de rap nacional dos últimos anos. Já com grande representação na cena alternativa de São José dos Campos, o Síntese seguiu com a divulgação do clipe 4:20, o projeto “Buracos no Chão” em parceria com Distúrbio Verbal e o single “Interno” do próximo álbum. A produção mais recente é “Em favor do Réu” com o Projetonave. Conversamos com o Neto sobre a criação, produção das músicas e suas intervenções pelo país.

O Síntese propaga uma forte mensagem espiritual sobre as esferas da existência. O som se torna uma reflexão sobre a fé, o inconsciente, o capital e o futuro da humanidade. Como é o processo de criação e produção das músicas?

As letras surgem do que a gente vive. Costumamos dizer que são os refrões das nossas conversas e dos nossos pensamentos. Considerando o que temos como verdade da vida, e o que buscamos a partir disso, tratar de tudo que tratamos nas músicas é uma incumbência maior do que a nossa existência. A vida tá aí com ou sem a gente, e acredito que pra contribuir para a evolução é necessário muita responsabilidade. Quando se vive tudo isso, deixa de fazer sentido existir fora dessa concepção da realidade. A vida se torna uma constante busca a fim de conscientizar nosso espírito… A busca do eu.

E a criação se torna também uma terapia existencial, pra mim como um depósito pra preservamos os sentimentos certos frente à tudo que nos é imposto e os resquícios da pureza que nos vêm sendo ceifada. Escrever é tratar das consciências… é o registro do que ainda se pode saber (sentir) que é relevante pra existir, e um momento em que buscamos a responsabilidade e a maturidade que ainda não temos para fazê-lo, mas que sentimos ser necessária para essa nossa evolução. Ninguém entre o céu e a terra basta nesse momento… é quando se é portal de Algo Maior. E isso tudo é um fragmento da gente, sabe… e mostra como somos professores e aprendizes de nós mesmos… com o tempo, acho que escrever deve ser entender o todo através do nosso indivíduo, e conhecer nosso indivíduo entendendo o todo.

Quem acompanha o Síntese e outros parceiros da cena de São José dos Campos sabe que a Matrero Records, além de coletivo, é uma família pra todos aqueles que a representa. É interessante ver que antes mesmo das produções e do rap existe uma irmandade que muito mais que um selo se compara a um projeto de vida. Como é essa relação?

Creio que a gente atrai pra perto da gente pessoas que estão vibrando na mesma frequência que nós, é a natureza da criação, e Deus juntou a gente de uma maneira muito bonita e muito sólida. Ter conhecido os irmãos e conviver com eles é algo que salva nossas vidas diariamente… Somos como uma família mesmo. A gente sempre tá um na casa do outro, a gente é amigo da família de cada um, sempre estamos vivendo a vida junto.

A gente juntou muitos irmãos, e muitos deles não são ligados ao meio de atuação do rap, embora tenha sido o que uniu mais a gente no começo… Mas hoje vivemos como uma família mesmo aqui na nossa cidade, e construímos relações muito saudáveis com as pessoas que coexistimos por aqui, sempre girando em volta dos mesmos princípios Cristãos e da busca da evolução de pessoal de cada um através da comunhão entre a gente. É um projeto de vida, sem dúvidas… vivo muito por isso!

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